Damares na mira de Oswaldo Eustáquio: acusação de emboscada e guerra nos bastidores da direita
Blogueiro acusa a senadora de ter contribuído para sua prisão em 2020; parlamentar já denunciou ataques à própria honra e pediu que aliados parem de atacar integrantes do campo conservador.
Gente, parece que os bastidores da direita brasileira estão pegando fogo!
Uma história que começou em dezembro de 2020 voltou a ganhar força e colocou novamente a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) no centro de uma polêmica com o blogueiro Oswaldo Eustáquio.
A acusação é pesada: Eustáquio afirma que teria sido atraído para uma reunião no ministério comandado por Damares, quando ela ainda era ministra do governo Bolsonaro, e que a situação teria contribuído para sua prisão por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Mas a história não termina aí. Nos últimos meses, a senadora também passou a ser alvo de ataques de pessoas ligadas ao entorno político de Flávio Bolsonaro. E ela não ficou em silêncio.
Vamos aos bastidores!
A história da suposta emboscada: o que Oswaldo está dizendo?
O episódio remonta a dezembro de 2020, quando Oswaldo Eustáquio cumpria prisão domiciliar e utilizava tornozeleira eletrônica por determinação do STF.
Segundo relato apresentado pelo próprio blogueiro e divulgado pelo Metrópoles em julho de 2026, ele procurou o então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos para apresentar denúncias relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
A reunião teria sido inicialmente organizada para acontecer por videoconferência. Entretanto, conforme a versão de Eustáquio, o encontro foi alterado para presencial, levando-o até a sede do ministério.
O blogueiro afirma que, depois da visita, informações sobre seu deslocamento foram encaminhadas às autoridades e contribuíram para a decretação de sua prisão preventiva.
É justamente aí que aparece a acusação de “emboscada”.
Eustáquio sustenta que teria sido atraído ao ministério em uma situação que acabou favorecendo sua prisão. A acusação foi publicada também pela Gazeta do Paraná, em artigo assinado pelo próprio jornalista.
Mas calma: o que diz a versão do ministério?
Existe um outro lado que precisa entrar nessa história.
Em dezembro de 2020, o ministério divulgou esclarecimentos sobre o episódio. Segundo a pasta, a equipe havia oferecido a possibilidade de atendimento virtual e solicitado autorização judicial para que o blogueiro pudesse comparecer presencialmente.
A explicação oficial também afirmou que o ministério havia consultado as autoridades competentes sobre a existência de autorização para o deslocamento.
Na decisão que decretou a prisão preventiva, Alexandre de Moraes mencionou uma comunicação relacionada à visita de Eustáquio ao ministério. O ministro apontou descumprimento das medidas cautelares e determinou a prisão após pedido da Procuradoria-Geral da República.
Portanto, a acusação de que Damares teria armado deliberadamente uma emboscada continua sendo uma alegação de Eustáquio. Os documentos e as versões públicas precisam ser analisados em conjunto antes de qualquer conclusão sobre a intenção da então ministra.
Damares virou alvo de ataques dentro da própria direita
E se a história antiga já era suficiente para movimentar os bastidores, a disputa política recente acrescentou mais um capítulo.
Damares passou a ser alvo de críticas e ataques de pessoas ligadas ao entorno de Flávio Bolsonaro, em meio a divergências envolvendo a pré-campanha do senador e a relação da parlamentar com Michelle Bolsonaro.
O episódio ganhou repercussão após notícias sobre a decisão de Damares de interromper sua colaboração com o plano de governo de Flávio. A senadora negou ter abandonado o projeto político e reafirmou seu apoio ao parlamentar.
Mas as críticas não ficaram restritas às divergências políticas. A própria Damares relatou ataques pessoais, incluindo insinuações sobre sua vida privada e acusações que, segundo ela, atingiram sua honra e sua família.
Em pronunciamento no Senado, em julho, a parlamentar pediu que os integrantes da direita parassem de atacar os próprios aliados.
“Parem de atacar os soldados da direita!”, declarou.
A frase virou um dos principais símbolos de sua reação à crise.
A disputa chegou a Flávio Bolsonaro?
O nome de Flávio aparece nesse episódio porque parte dos ataques a Damares foi atribuída a pessoas próximas de seu entorno político.
A senadora, porém, negou rompimento com o senador e reafirmou que continuava apoiando sua pré-candidatura.
O que se vê é uma disputa entre grupos e aliados que, apesar de integrarem o mesmo campo político, passaram a trocar críticas públicas e acusações.
Para a direita, a situação levanta uma questão importante: divergências internas podem ser resolvidas no debate político ou estão se transformando em ataques pessoais que atingem a própria imagem do movimento conservador?
E Oswaldo Eustáquio? Agora ele também virou réu no STF
Outro acontecimento recente colocou o blogueiro novamente no noticiário.
Em 24 de outubro de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, receber a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Oswaldo Eustáquio por associação criminosa relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023.
A decisão foi tomada pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e pela ministra Cármen Lúcia.
Segundo a denúncia da PGR, Eustáquio teria participado de mobilizações e utilizado suas redes sociais para incentivar ações contra o resultado das eleições e as instituições democráticas.
É importante destacar: o recebimento da denúncia significa que ele passa a responder a uma ação penal. Não representa condenação antecipada. A defesa ainda poderá contestar as acusações durante o processo.
Atualmente, o blogueiro está na Espanha e é considerado foragido pela Justiça brasileira.
O que está confirmado — e o que ainda está em disputa?
Está confirmado:
- Oswaldo Eustáquio estava em prisão domiciliar em dezembro de 2020.
- Ele compareceu ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos naquele período.
- O STF decretou sua prisão preventiva em 18 de dezembro de 2020.
- Eustáquio acusa Damares de ter armado uma emboscada.
- O ministério apresentou uma versão própria sobre a organização da reunião e as consultas às autoridades.
- Damares denunciou ataques pessoais e pediu o fim das agressões entre integrantes da direita.
- Em outubro de 2026, Eustáquio se tornou réu por associação criminosa no caso relacionado ao 8 de janeiro.
Ainda precisa ser esclarecido:
- Se houve intenção deliberada de Damares ou de integrantes de seu gabinete de provocar a prisão de Eustáquio.
- Qual foi exatamente o papel de cada pessoa envolvida na comunicação feita às autoridades em 2020.
- Se haverá novos documentos ou manifestações capazes de esclarecer a acusação.
- Como ficará a relação política entre Damares, Flávio Bolsonaro e os aliados envolvidos nos ataques.
Comentário do Dom Felipe
A direita brasileira tem diferenças internas, correntes distintas e lideranças com estratégias próprias. Isso faz parte da política. O problema começa quando divergências deixam de ser discutidas no campo das ideias e passam a ser transformadas em ataques pessoais, insinuações e acusações que nem sempre vêm acompanhadas de provas.
A acusação feita por Oswaldo Eustáquio contra Damares é grave e merece esclarecimento. Se existem documentos que sustentam sua versão, eles precisam ser examinados com seriedade. Da mesma forma, a resposta apresentada pelo ministério e os registros judiciais não podem ser ignorados.
Mas há outro ponto que merece atenção: a direita não pode perder tempo atacando seus próprios integrantes enquanto questões importantes para o país exigem atuação política, organização e responsabilidade.
Damares tem o direito de responder às acusações e denunciar ataques à sua honra. Eustáquio tem o direito de apresentar sua versão e buscar esclarecimentos sobre o que aconteceu com ele. O debate precisa acontecer com fatos, documentos e transparência.
A direita precisa de debate, lealdade e responsabilidade — não de uma guerra permanente entre aliados.
E você, de que lado vê essa história? A acusação de Eustáquio precisa de uma investigação mais aprofundada? E os ataques entre integrantes da direita estão prejudicando o próprio campo conservador?
Deixe sua opinião nos comentários do Portal Dom Felipe.

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