Paulista reúne milhares no 7 de Setembro em ato liderado por Flávio Bolsonaro contra Moraes e o governo Lula
Manifestação na Avenida Paulista combinou campanha presidencial, críticas ao STF e ao governo federal, defesa de André Mendonça e propostas para a segurança pública.
A Avenida Paulista foi palco, nesta segunda-feira (7), de uma das principais manifestações da oposição no 7 de Setembro de 2026.
Liderado pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), o ato reuniu milhares de pessoas e funcionou ao mesmo tempo como manifestação política contra o governo Lula e como comício de campanha.
O discurso das principais lideranças foi marcado por críticas ao ministro Alexandre de Moraes, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Público: estimativas divergem
A dimensão do ato se tornou um dos assuntos mais comentados.
Segundo a metodologia do Monitor do Debate Político da USP e do grupo More in Common, o pico teria alcançado aproximadamente 28,5 mil pessoas, com uma margem estimada entre 25,1 mil e 32 mil participantes.
O Poder360, porém, apresentou uma estimativa superior, chegando a 34,2 mil pessoas.
A diferença entre as metodologias exige cautela antes de cravar um número definitivo.
O levantamento utilizado pelo Dom Felipe também registra que manifestações bolsonaristas realizadas na Paulista em anos anteriores chegaram a superar 45 mil participantes.
Portanto, embora a Paulista tenha apresentado uma grande concentração de pessoas, o tamanho do ato ficou abaixo dos maiores eventos bolsonaristas realizados no local em anos anteriores.
Alexandre de Moraes domina os discursos
A atuação de Alexandre de Moraes foi um dos principais temas do protesto.
O discurso de Flávio Bolsonaro foi especialmente duro contra o ministro. O candidato chamou Moraes de “laranja podre” dentro do Supremo e associou politicamente a imagem do ministro à do presidente Lula.
Em uma das declarações mais fortes, Flávio afirmou que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”.
As falas ocorrem em meio à recente crise envolvendo o STF e à repercussão de mensagens relacionadas ao ministro e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Para a oposição, o episódio reforça a necessidade de discutir os limites da atuação do Supremo e a relação entre os Poderes da República.
André Mendonça recebe apoio no palanque
Apesar das críticas ao Supremo, o ato não foi direcionado indistintamente contra todos os ministros da Corte.
As lideranças presentes fizeram questão de demonstrar apoio a André Mendonça, que vem sendo colocado no centro de uma disputa institucional com Alexandre de Moraes.
A manifestação registrou aplausos e mensagens de apoio ao ministro.
O movimento mostra uma mudança interessante no discurso de parte da oposição: a crítica passou a ser direcionada principalmente a determinadas decisões e ministros, enquanto outros integrantes do STF são apresentados como possíveis contrapesos dentro da própria Corte.
8 de Janeiro volta ao centro do debate
Outro tema presente no discurso foi o 8 de Janeiro de 2023.
Flávio Bolsonaro classificou os acontecimentos daquele dia como uma “farsa” e fez uma comparação com a chamada “segunda facada” sofrida politicamente por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração demonstra que a revisão das narrativas e das consequências jurídicas relacionadas ao 8 de Janeiro continua sendo uma das bandeiras da direita brasileira.
O tema também permanece diretamente relacionado ao debate sobre prisões, condenações e atuação do Supremo.
Segurança pública ganha espaço na campanha
O ato também serviu para Flávio Bolsonaro apresentar propostas de campanha.
Entre elas está o endurecimento das políticas de segurança pública, incluindo a defesa de uma “guerra ao narcoterrorismo” e a redução da maioridade penal.
A escolha dessas pautas mostra que a segurança deverá ocupar espaço importante na campanha presidencial de 2026, especialmente entre os candidatos que pretendem disputar o eleitorado conservador.
Tarcísio, Nunes e outras lideranças participam
O palanque reuniu nomes importantes da direita e do centro.
Entre os presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes; o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; o senador Sergio Moro; o deputado Nikolas Ferreira; Guilherme Derrite e o pastor Silas Malafaia.
Valdemar também fez uma declaração de forte impacto político ao afirmar que Jair Bolsonaro continuaria preso caso seu filho não fosse eleito.
A presença desse grupo demonstra que a manifestação funcionou não apenas como protesto, mas também como um importante ponto de encontro da direita brasileira durante a pré-campanha presidencial.
Confronto entre manifestantes exigiu intervenção policial
A manifestação também teve um episódio de tensão próximo à região da Rua Peixoto Gomide.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, conforme registrado no levantamento utilizado pelo Dom Felipe, um grupo de manifestantes de esquerda tentou se aproximar da área reservada aos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana utilizaram bombas de gás lacrimogêneo para conter a aproximação.
O episódio reforça a necessidade de atenção das autoridades durante manifestações políticas que reúnem grupos ideologicamente opostos em áreas próximas.
Uma Paulista cheia e uma Esplanada mais vazia
Um dos pontos levantados durante a apuração foi o contraste visual entre a movimentação da Avenida Paulista e a Esplanada dos Ministérios em Brasília.
A pesquisa utilizada pelo Dom Felipe questiona se as estimativas divulgadas sobre o público da Paulista correspondem integralmente às imagens registradas durante o evento e aponta que imagens aéreas apresentaram uma percepção diferente dos números inicialmente divulgados.
Essa questão merece ser tratada com cuidado.
Imagens de drones podem ajudar na análise visual de uma manifestação, mas também não substituem automaticamente uma metodologia de contagem. Por isso, o mais correto é apresentar as diferentes estimativas e deixar o leitor conhecer os números disponíveis.
O que o ato representa para a eleição de 2026?
A manifestação da Paulista deixa uma mensagem política importante.
Flávio Bolsonaro conseguiu reunir ao seu redor nomes relevantes da direita e transformar o 7 de Setembro em uma demonstração pública de força de sua candidatura.
Ao mesmo tempo, o evento mostrou que o discurso da oposição continua fortemente concentrado em três temas: Alexandre de Moraes e os limites do STF, a situação de Jair Bolsonaro e a segurança pública.
A presença de Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes, Sergio Moro, Nikolas Ferreira e outras lideranças também mostra que a disputa pelo eleitorado de direita será acompanhada de perto por diferentes grupos políticos.
O que ainda precisa ser acompanhado
O tamanho exato da manifestação continua sujeito às diferentes metodologias de contagem.
Também será necessário acompanhar se a mobilização terá efeitos concretos sobre a campanha de Flávio Bolsonaro e sobre as discussões envolvendo o Supremo e o Congresso Nacional.
Outro ponto será observar como os demais candidatos à Presidência responderão à mobilização e às pautas apresentadas pela oposição.
O 7 de Setembro termina, mas seus efeitos políticos provavelmente continuarão durante as próximas semanas.
Comentário do Dom Felipe
A manifestação da Paulista mostra que existe uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro disposta a ocupar as ruas para defender uma agenda política claramente identificada com a direita.
E isso precisa ser reconhecido sem exageros de nenhum dos lados.
Não é necessário transformar 30 mil pessoas em “todo o Brasil” para reconhecer que foi um ato politicamente relevante. Da mesma forma, também não faz sentido diminuir uma mobilização desse tamanho simplesmente porque ela ficou abaixo de manifestações maiores realizadas anteriormente.
O ponto principal é outro.
A direita está entrando na eleição de 2026 com uma mensagem bastante definida.
Críticas a Alexandre de Moraes, questionamentos sobre os limites do Supremo, defesa de Jair Bolsonaro, apoio a André Mendonça, endurecimento da segurança pública e oposição ao governo Lula formaram o eixo central do discurso apresentado na Paulista.
Para o Dom Felipe, o mais importante é que essa disputa aconteça dentro das regras democráticas.
O eleitor precisa ter liberdade para ouvir Flávio Bolsonaro, Lula, Tarcísio, Zema, Caiado e todos os demais candidatos. Precisa comparar propostas, observar comportamentos e decidir nas urnas.
A manifestação pode ser barulhenta, o discurso pode ser duro e a disputa pode ser acirrada.
Mas, no fim, é o eleitor quem deve ter a última palavra.
E a Paulista deixou hoje um recado que nenhum candidato poderá ignorar: a oposição está mobilizada e pretende disputar 2026 nas ruas, nas redes e nas urnas.
O Dom Felipe continuará acompanhando os próximos capítulos da corrida presidencial.
E você: acredita que a manifestação da Paulista pode mudar o cenário da eleição de 2026? Deixe sua opinião nos comentários.
Fontes
Folha de S. Paulo, Veja, G1 e Jovem Pan, conforme levantamento realizado para esta publicação. Informações sobre segurança pública foram atribuídas à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo no material de apuração.
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